Idiomas:

Partilhar:

13/05/2019

Quem são os profissionais envolvidos no diagnóstico do Pé Diabético?

A cada 20 segundos, em algum lugar do mundo, um paciente sofre uma amputação da perna como resultado da DM (1), mas… Estas amputações são evitáveis? A resposta é: Sim, quando ocorre uma úlcera, a taxa de complicações pode ser significativamente reduzida se for tratada com a colaboração de uma equipe multidisciplinar de Pé Diabético (2)

É essencial realizar uma avaliação completa desses pacientes, avaliação vascular e neurológica, avaliar possíveis deformidades do pé e avaliar a presença ou ausência de infecção, etc.

Em Portugal, tanto a falta de sensibilização para esta complicação entre os doentes diabéticos como a falta de unidades multidisciplinares do Pé Diabético geram um atraso na identificação de complicações em doentes com Pé Diabético, o que leva a um diagnóstico incompleto e atraso na implementação de tratamentos avançados.

O IWGDF define que os cuidados com o pé diabético devem ser organizados em torno de unidades ou clínicas de pé, que por definição são multidisciplinares e podem incluir todas as especialidades envolvidas no tratamento dessa complicação.

 O guia NICE (3) sintetizou a composição das equipas multidisciplinares no Reino Unido, mostrando como o pediatra é o profissional de saúde com maior presença nestes serviços (82,2%), seguido pelo diabetologista (81,3%), enfermeiro especialista em Diabetes Mellitus (59,6%) e o cirurgião vascular (56,6%), entre outros profissionais como traumatologistas, reabilitadores e microbiologistas.

Existem actualmente muito poucas unidades multidisciplinares do Pé Diabético em Portugal, e ainda mais se tivermos em conta que a figura do podólogo não está incluída no Sistema Nacional de Saúde (SNS).

Seria essencial ter protocolos padronizados de ação e recomendações sobre como prestar cuidados no Pé Diabético, quais profissionais são os mais adequados, quais habilidades devem ter e, em última instância, como organizar o cuidado e o manejo dessa complicação, aspectos que, de acordo com as diretrizes clínicas atuais, são de grande importância (4).

Este facto deve ser um objectivo prioritário no nosso país, pois há mais de uma década que se demonstra que com este tipo de Unidade é possível alcançar uma redução do número total de amputações de até 40% e amputações superiores a 62% (5,6).

Referências:

  1. Schaper NC, Andros G, Apelqvist J, Bakker K, Lammer J, Lepantalo M, et al. Diagnosis and treatment of peripheral arterial disease in diabetic patients with a foot ulcer. A progress report of the International Working Group on the Diabetic Foot. Diabetes metabolism research and reviews. 2012;28 Suppl 1:218-24.
  2. Singh N, Armstrong DG, Lipsky BA. Preventing foot ulcers in patients with diabetes. Jama. 2005;293(2):217-28.
  3. Diabetic foot problems: prevention and management. NICE guidelines [NG19]. National Institute for Health and Care Excellence (NICE), 2015.
  4. IWGDF Guidelines on the prevention and management of diabetic foot disease 2019
  5. Rubio JA, Aragon-Sanchez J, Lazaro-Martinez JL, Almaraz MC, Mauricio D, Antolin Santos JB, et al. Diabetic foot units in Spain: knowing the facts using a questionnaire. Endocrinologia y nutricion : organo de la Sociedad Espanola de Endocrinologia y Nutricion. 2014;61(2):79-86.
  6. Cavanagh PR, Lipsky BA, Bradbury AW, Botek G. Treatment for diabetic foot ulcers. Lancet. 2005;366(9498):1725-35.

Partilhar:

Post sugeridos

03/07/2019

Cinco Passos para Diagnosticar o Pé Diabético

Conheça o seu paciente. Como em qualquer patologia é fundamental compreender e conhecer o nosso paciente. O Pé Diabético apresenta-se geralmente sob a forma de uma úlcera de pé, mas a realidade é que por trás dessa úlcera localizada escondem-se diferentes patologias ou comorbidades que provocam a lesão. Para oferecer um tratamento adequado aos pacientes Leer más >>

Ler mais > >