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03/07/2019

Cinco Passos para Diagnosticar o Pé Diabético

  1. Conheça o seu paciente.

Como em qualquer patologia é fundamental compreender e conhecer o nosso paciente.

O Pé Diabético apresenta-se geralmente sob a forma de uma úlcera de pé, mas a realidade é que por trás dessa úlcera localizada escondem-se diferentes patologias ou comorbidades que provocam a lesão. Para oferecer um tratamento adequado aos pacientes que sofrem do síndrome do pé diabético, será essencial conhecer a sua história clínica e realizar uma série de testes diagnóstico que nos permitirão segmentar melhor o nosso paciente e assim tratá-lo da melhor maneira possível, reduzindo os tempos de cicatrização e proporcionando-lhes uma melhor qualidade de vida enquanto reduzimos a possibilidade de complicações adicionais.

  1. Controle metabolicamente o seu paciente.

A Organização Mundial de Saúde (OMS) define o síndrome de pé diabético como a presença de ulceração, infecção e/ou gangrena do pé associada à neuropatia diabética e a diferentes graus de Doença Vascular Periférica (DVP), resultado da complexa interação de diferentes fatores induzidos por uma hiperglicemia sustentada (1).

Portanto, as condições essenciais para falar de Pé Diabético são que o paciente seja diabético, alteração(ões) localizada(s) no pé (estrutura abaixo do tornozelo) e que o mecanismo etiopatogénico seja a neuropatia e/ou DVP.

Por esta razão, não devemos olhar apenas para o membro inferior, já que uma correta avaliação metabólica nos ajudará a fazer um melhor tratamento e prognóstico da lesão ou lesões que possam ter surgido no pé.

Devem ser efectuados controlos metabólicos de rotina para identificar alterações que possam conduzir a retrocessos nos tratamentos.

 

  1. O meu paciente tem falta de sensibilidade nos pés?

A neuropatia diabética é a complicação crónica mais frequente da Diabetes Mellitus (DM), e a forma mais comum é a polineuropatia distal e simétrica. Define-se como “aquela alteração da função dos nervos periféricos que ocorre em pacientes com DM na ausência de outras causas de neuropatia periférica“. Apresenta-se em cerca de 40%-50% dos diabéticos com mais de 10 anos de evolução. É responsável por uma grande morbilidade e mortalidade, além de representar a forma mais frequente de neuropatia nos países desenvolvidos (2,3).

É muito importante realizar uma anamnese e exploração cuidadosa dos pacientes em risco de neuropatia, pois a ausência de sintomas não exclui a presença de neuropatia. Estima-se que cerca de 70% dos pacientes apresentem os primeiros danos nos nervos periféricos de forma assintomática.

Fazer um bom diagnóstico da neuropatia ajudará a prevenir o aparecimento de lesões do pé diabético, já que a identificação precoce desses pacientes permite realizar ações que previnam o seu desenvolvimento.

Para isso existem diferentes técnicas que nos ajudarão a diagnosticar o nosso paciente, como sejam o teste de monofilamento Westein-Semmens e o estudo da sensibilidade vibratória utilizando um diapasão ou biotensiómetro.

  1. Detecta deformidades nos pés.

A presença de deformidades contribui para o risco de desenvolvimento de úlceras do pé diabético e é consequência da afetação neurológica, pois a hipotonia e atrofia da musculatura intrínseca do pé  provocará um desequilíbrio da musculatura, resultando numa alteração da biomecânica do pé.

Isso leva a deformidades como o dedo do pé em garra e em martelo e fará com que haja áreas nas quais será exercida maior pressão durante a caminhada, principalmente nas cabeças metatársicas; isso somado a um deslocamento da almofada de gordura plantar, torna o pé uma estrutura vulnerável à ulceração (4.5).

Em muitas ocasiões é a própria fricção do calçado nestas deformidades a causa do aparecimento de uma úlcera no pé.

  1. Antes de destapar a lesão, tome os pulsos.

Conhecer o estado vascular do nosso paciente é crucial para determinar qual é o tratamento adequado.

Um em cada quatro pacientes diagnosticados com diabetes desenvolverá Doença Vascular Periférica (DVP) até sete anos de doença (6). Na verdade, é responsável por 10-20% da mortalidade de pacientes diabéticos.

A causa fundamental é a obstrução do fluxo sanguíneo parcial ou total nas artérias do membro inferior devido ao desenvolvimento de lesões ateroscleróticas.

A importância da presença de DVP no paciente lesionado pode condicionar uma menor probabilidade de cicatrização e uma evolução desfavorável (7).

Para saber se o nosso paciente tem ou não DVP, podemos recorrer a diferentes técnicas, como a medição dos pulsos distais e a determinação do Índice Tornozelo-Braço (ITB).

Referências

 

  1. Zhang P, Lu J, Jing Y, Tang S, Zhu D, Bi Y. Global epidemiology of diabetic foot
    ulceration: a systematic review and meta-analysis (dagger). Ann Med. 2017;49(2):106-16.
  2. Cabezas-Cerrato J. The prevalence of clinical diabetic polyneuropathy in Spain: a study in primary care and hospital clinic groups. Neuropathy Spanish Study Group of the Spanish Diabetes Society (SDS). Diabetologia. 1998;41(11):1263-9.
  3. Sharma VK, Khadka PB, Joshi A, Sharma R. Common pathogens isolated in diabetic foot infection in Bir Hospital. Kathmandu University medical journal. 2006;4(3):295-301.
  4. Suzuki E, Kashiwagi A, Hidaka H, Maegawa H, Nishio Y, Kojima H, et al. 1Hand 31P-magnetic resonance spectroscopy and imaging as a new diagnostic tool to evaluate neuropathic foot ulcers in Type II diabetic patients. Diabetologia. 2000;43(2):165-72.
  5. Lazaro-Martinez JL, Aragon-Sanchez FJ, Beneit-Montesinos JV, Gonzalez- Jurado MA, Garcia Morales E, Martinez Hernandez D. Foot biomechanics in patients with diabetes mellitus: doubts regarding the relationship between neuropathy, foot motion, and deformities. Journal of the American Podiatric Medical Association. 2011;101(3):208-14.
  6. Kallio M, Forsblom C, Groop PH, Groop L, Lepantalo M. Development of new peripheral arterial occlusive disease in patients with type 2 diabetes during a mean follow-up of 11 years. Diabetes care. 2003;26(4):1241-5.
  7. Hinchliffe RJ, Brownrigg JR, Apelqvist J, Boyko EJ, Fitridge R, Mills JL, et al IWGDF guidance on the diagnosis, prognosis and management of peripheral artery disease in patients with foot ulcers in diabetes. Diabetes/metabolism research and reviews. 2016;32 Suppl 1:37-44.

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